José Brás faleceu
Do nosso associado Miguel Torres, ex-presidente da Animar e pessoa que com ele privou, o testemunho:
Aprendizagem ao longo da vida
Com quase 50 anos por maioria de razão começamos a valorizar toda a aprendizagem que fomos fazendo. A valorização do nosso percurso individual de aprendizagem foi coisa que, também ela, fui aprendendo. E como sempre estas coisas não se aprendem sozinho.
Ao longo da minha vida tive o privilégio de partilhar o percurso com muita gente que me foi ensinando a trilhar esse caminho. Um caminho que não se percorre sozinho, onde a partilha é o segredo desse conhecimento ímpar construído em comum.
Pessoas que além do valor do conhecimento me ensinaram o valor dos processos comunitários de base local. Processos centrais de valorização do que fomos e somos, do passado e do presente, tendo em vista um conceito básico que é que: todos temos direito ao futuro independentemente do território onde nos calhou nascer e que escolhemos para viver! Somos TODOS IGUAIS!
Processos que só fazem sentido utilizando de uma enorme honestidade para com as pessoas e organizações com as quais nos relacionamos.
Resumindo: aprendizagem, igualdade, vida, pessoas, organizações, honestidade, frontalidade, colectivo, coerência, futuro e território foram palavras que aprendi a conjugar em prol de um sentimento de pertença a uma comunidade alargada que é de todos.
Muito disto aprendi com o Zé Brás. Homem para quem estas coisas não eram centrais, mas sim naturais.
Para o Zé, estas coisas somadas a um enorme respeito pela natureza e meio ambiente eram a forma de estar e encarar os problemas, sem fugir a eles, olhando-os de frente sem certezas mas com a convicção que poderíamos dar contributos à sua resolução.
O Zé Brás morreu hoje.
Fruto da sua passagem por aqui o mundo que deixou foi melhor do que aquele que encontrou, e creio que essa é a melhor homenagem que se lhe pode fazer.
Até sempre, companheiro!
Miguel Torres
Tondela, 14 de Dezembro 2018










