Realizou-se em Lisboa a apresentação da Conta Satélite da Economia Social
Decorreu no INE - Instituto Nacional de Estatística, a presentação da Conta Satélite da Economia Social de 2013, a qual pretende determinar e quantificar o peso social e económico deste sector na sociedade portuguesa.
Relativamente à anterior Conta Satélite, de 2010, a actual sofreu algumas alterações no que refere à análise e recolha de dados, fazendo agora a classificação das unidades institucionais por sector, o registo das despesas e do investimento em investigação e desenvolvimento; criado novos grupos de entidades – os subsectores comunitário e autogestionário e o de associações com fins altruísticos; e passado a integrar os dados do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional.
Da apresentação feita, é de destacar que de 2010 a 2013 se registou um aumento significativo do número de entidades do sector de economia social, assim como do seu peso no que refere ao emprego total (5,2%) e remunerado (6%), a par do aumento da remuneração média por trabalhador face à média nacional; que o seu contributo para a criação de riqueza nacional se manteve estável; que o sector é transversal a todas as atividades económicas; que as mais de 61 mil entidades registadas estão presentes em todas as regiões de Portugal, pese a sua concentração nas áreas metropolitanas de Lisboa (23%) e do Porto (11,7%).
De destacar, na Sessão de Abertura, as palavras do Ministro Vieira da Silva, chamando a atenção para as duas grandes dificuldades com que o sector se defronta:
- a sua grande dispersão, dimensão e diversidade, acolhendo famílias com origens e percursos diferentes, a que se junta o escasso nível de interacção entre as entidades do sector;
- o fraco reconhecimento público, em particular no que se refere às comunidades técnica e científica.
Em sua opinião, está nas mãos das entidades do sector fazer com que estas fragilidades se transformem num potencial de desenvolvimento, tanto mais que essa diversidade não é maior que aquela que existe nos sectores público e privado, e o investimento do Estado no sector triplicou nos últimos 20 anos.
Na mesa redonda que se seguiu à apresentação da Conta Satélite, os representantes das diversas famílias da economia social puderam expor os seus pontos de vista. Comum a todas as intervenções a justificação, por cada família, de pertença ao sector e a referência à importância da Conta Satélite como instrumento de afirmação da economia social e das entidades que a compõem.
Pelo meio, algumas chamadas de atenção, como a da Confederação das Colectividades, para a “descoberta” pelo sector privado de que a economia social é um novo mercado a explorar; ou a da CONFAGRI, para a importância da Conta Satélite ir melhorando a informação estatística, em particular a que refere ao sector do cooperativismo agrícola que, referiu, conta com 264 explorações agrícolas e representa 25% da agricultura familiar, realidade não suficientemente refletida no documento.
Num registo diferente, Marco Domingues, Presidente da Animar, referiu que a entidade a que preside é uma organização com grande representatividade e diversidade, e se encontra disponível para trabalhar os indicadores referentes ao desenvolvimento local. Ou seja, para trabalhar na recolha e tratamento de dados relativos ao desenvolvimento territorial numa escala micro, um modelo que a rede Animar defende por fazer das comunidades o motor da mudança social, aproximando e emancipando as pessoas. Indicadores estes que dariam um retrato fiel de uma realidade que decorre de um modelo que, acreditamos, funde economia social, economia social e solidária e terceiro sector.
Integrado na apresentação da Conta Satélite de 2013, o professor Álvaro Garrido discorreu sobre as origens e o conceito de Economia Social, cuja intervenção disponibilizamos AQUI.










