Ao terceiro dia a MANIFesta lança um olhar sobre os jovens e o emprego
O dia iniciou-se com o debate Emprego, Empreendedorismo e Juventude.
Tiago Dias (CASES) considerou que, ao falar-se em empreendedorismo, ser necessário colocar a tónica na sua sustentabilidade, coisa pela qual a CAES se tem vindo a bater. Referindo a experiencia da entidade que representava, disse que uma das primeiras dificuldades com que ela se depara é a dos jovens terem medo de assumirem riscos. Por outro lado, têm vindo a constatar que os projectos de empreendedorismo colectivo são os mais resilientes e aqueles em que as pessoas se sentem mais seguras e apoiadas. Pelo que é necessário contrariar uma certa cultura instalada de empreendedorismo individualista, competitiva, self-made man, de influência norte-americana. E deu o exemplo do Geração Coop como uma resposta eficaz e demonstrativa das vantagens superiores do empreendedorismo colectivo face ao individual.
Célia Pereira (CRESAÇOR) falou-nos de um estudo realizado nos Açores, em 2013, na região de intervenção da sua associação, relativa ao recurso ao microcrédito, intitulado Empreendedorismo Inclusivo e Microcrédito.
O estudo resultou da necessidade de reflectirem sobre o trabalho que nesta área vinham desenvolvendo, nomeadamente as dificuldades e constrangimentos sentidos pelo beneficiários e destinatários do microcrédito, a eficácia do modelo de comparticipação (há altura o Governo assumia 25% do risco financeiro) e os resultados concretos na melhoria das condições de vida dos beneficiários.
Uma das primeiras conclusões foi que a intervenção estava a resultar, pelo que o Governo Regional passou a assumir 75% dos riscos, o que revela que se tinha conseguido estabelecer um clima de confiança entre as partes directamente envolvidas – beneficiários, banca e Governo Regional – e que o investimento público no sistema de microcrédito estava a gerar um retorno económico significativo.
Verificou-se que com a crise o microcrédito passou a ser mais procurado, crescendo o número de candidaturas, estando a ser actualmente apoiadas cerca de 100 pequenas empresas (em média com 5 trabalhadores). E que este recurso passou a ser procurado por outras classes sociais, que não as tradicionalmente mais pobres.
Uma das conclusões mais importante foi a de que a formação académica é determinante na escolha da ideia de negócio, e que o boca-a-boca é o melhor meio de difusão e propaganda do microcrédito.
Stephanie Phaniedermagne (Cooperativa Sol Maior) falou sobre os jovens desocupados que não trabalham nem estudam que, na facha etária dos 15 aos 24 anos, e socorrendo dos dados do INE, são mais de 17%.
Que fazer com estes jovens? Que problemas se colocam?, interrogou-se. Considerou existirem oportunidades de emprego, mas que o problema estava nas espectativas e nas fracas competências de muitos destes jovens. A escolaridade, por si só, não garante emprego; a condição de desempregado e a precariedade laboral condicionam a procura de emprego e geram a perda de autoestima. Referiu ainda que as dificuldades em conciliar a actividade profissional com a vida familiar é outro factor condicionante.
Quebrar este círculo vicioso é uma necessidade vital, que só se consegue com o trabalho em rede e com a cooperação, pois precisamos uns dos outros para mudar as coisas.
Fernando Gaspar (Gabinete para a Formação das Artes e Ofício do CEARTE) começou por referir a importância das actividades ligadas ao artesanato em termos de empreendedorismo e criação de emprego. O CEARTE faz há muito formação profissional nas áreas das artes e ofício artesanais, o que tem impedido não só que estas desapareçam como se tenham vindo a modernizar, criando um novo tipo de artesão, moderno e inovador. Com o seu labor conseguiu tornar as pequenas oficinas artesanais mais resilientes; ser reconhecido pelos governos e conseguido a aprovação legal e a regulação do estatuto do artesão.
Não há muito passou a gerir o sistema nacional de certificação das artes e ofício artesanais, cujo registo nacional contabiliza 180 actividades artesanais, divididas por 13 categorias. Lisboa, Norte e Centro concentram mais de metade das actividades artesanais, sendo os sectores da cerâmica (mais de 15%) e têxtil (27%) as categorias com mais artesãos.











