Quanto é que os salários teriam de descer para tornar a economia portuguesa competitiva?
Autor: João Ramos de Almeida e José Castro Caldas
Edição: CES - Observatório sobre Crises e Alternativas /Cadernos do Observatório
Ano: 2014
Segundo um diagnóstico muito difundido, Portugal acumulou grandes dívidas e défices externos porque a sua economia perdeu competitividade em consequência do aumento excessivo dos salários. Deste diagnóstico decorre que a solução para o reequilíbrio das contas externas seria a redução dos salários e dos impostos pagos pelas empresas que sobre eles incidem.
Efetivamente, os défices da balança corrente de Portugal aumentaram muito entre 1995 e 2007 e a dívida externa cresceu extraordinariamente. Mas será que o crescimento dos défices e da dívida são consequência de um aumento desmesurado dos salários? Será que a redução dos salários e dos custos salariais das empresas permitiria recuperar a competitividade e assegurar o equilíbrio das contas externas? Quanto teria de cair o salário médio para que se atingisse esse objetivo? Quantos postos de trabalho teriam de ser destruídos e qual o número de desempregados a criar para que os salários descessem para os níveis desejados? E o que aconteceria à sociedade portuguesa nesse caso?
Este caderno do Observatório sobre as Crises e Alternativas do Centro de Estudos Sociais (CES) coloca estas questões, que, na realidade, raramente são colocadas e muito menos respondidas com estudos aprofundados. E no entanto, esta tem sido a lógica imposta aos trabalhadores deste país, através de um ajustamento económico, apresentado como o único possível, nas condições de pertença à zona euro.










